Não sei ao certo onde estou, ouço gritos, risos e expressões irônicos. Pode me sugerir o inferno, mas há picos relâmpagos de felicidade, de maneira infinita enquanto dura.
Embora eu possa me comunicar com eles, sou mal ouvido, a ponto de ser ignorado por diversas vezes. Perdi a voz, perdi 8 graus da minha visão e meus ouvidos já não captam tão bem. Mas apesar da repressão interna, ainda me sinto vivo; principalmente quando faço carinho ao Snoopy (meu cão), quando sinto o cheiro úmido de chuva, quando meus olhos míopes brilham ao ver uma flor. Onde está a criatividade? Supliquei. Numa fração de segundos a minha moral me mandou me calar, enquanto a sua esposa, a ética, pediu educadamente para eu ter modos. Com total autoritarismo de minha parceira moral e minha colega importuna ética minha memoria surgiu no escuro de meu labirinto como um velhinho gagá com uma bengala em uma das mãos, e em voz alta, e com sua visão limitadamente desfocado consolou:
_ Não se preocupe comigo, eu já passei pelo que passas hoje, eu já vivi.
Eu sabia disto, afinal, mas era tão cedo para permitir que meu passado e minha história fosse levada pelo tenebroso e silencioso tempo, e insisti:
_ Não! me preocupo sim, tens muito a me ensinar e a viver, tu ainda sentes o cheiro de terra molhada, ainda respira o aroma de cada dama da noite, ainda enxerga a vibrante torcida comemorando o gol e, embora cansado, ainda caminha por lugares magníficos. Porque já vai, é tão cedo!
E com um último suspiro ele me respondeu, contando seus últimos segundos de imaginação e sendo filósofo, sim, sábio, pensador:
_ Vou pois tenho te atrapalhado, jovem, oque vivi foi bom e não nego, mas hoje tu me carregas como um peso, hoje te atravessa a rua comigo, dorme comigo na cabeceira da cama contando tediosas estórias, hoje não tens a confiança no olhar, sei que te ensinei muito, meu jovem, afinal eu já fui você, mas preciso partir para que vivas intensamente novamente, mas te deixarei uma humilde herança: a esperança, a perseverança, uma pequena ambição e um baú de amor e generosidade, saiba usar, meu querido jovem, e não se esqueça que...que...
_ Que o quê? Diga-me, Sr.! _ Ele não me respondeu, havia ido embora como as cinzas solta ao mar, como o último milésimo de luz de uma vela que se excede. Mas, naquele instante eu já sabia do que não deveria me esquecer, o que o velho Sr. se referia, era de sempre continuar a história... agora no presente, eu não sentia tanto medo da perda do ancião sábio e nem de mim mesmo, pois embora experiente e conhecedor das melhores estratégias para se salvar de armadilhas, ele não tinha mais vigor nem aptidão para o novo.
Hoje vivo, agora escrevo esta história, neste exato segundo, dito a minha história. Sempre irei conhecer novas damas, novos cheiros de chuva e novos momentos de prazer, pois embora a mentira corroa, a quase escassa represa evapora, e uma nova rosa brota; a verdade se renova, como o sol da aurora, como meu partido coração de outrora.
" Cada nova ideia que clareia, surge duas opções: sustentá-la ou abortá-la;? É incerta como depositar esperança em um garoto que veio do lixão. "
Gustavo de Freitas
Embora eu possa me comunicar com eles, sou mal ouvido, a ponto de ser ignorado por diversas vezes. Perdi a voz, perdi 8 graus da minha visão e meus ouvidos já não captam tão bem. Mas apesar da repressão interna, ainda me sinto vivo; principalmente quando faço carinho ao Snoopy (meu cão), quando sinto o cheiro úmido de chuva, quando meus olhos míopes brilham ao ver uma flor. Onde está a criatividade? Supliquei. Numa fração de segundos a minha moral me mandou me calar, enquanto a sua esposa, a ética, pediu educadamente para eu ter modos. Com total autoritarismo de minha parceira moral e minha colega importuna ética minha memoria surgiu no escuro de meu labirinto como um velhinho gagá com uma bengala em uma das mãos, e em voz alta, e com sua visão limitadamente desfocado consolou:
_ Não se preocupe comigo, eu já passei pelo que passas hoje, eu já vivi.
Eu sabia disto, afinal, mas era tão cedo para permitir que meu passado e minha história fosse levada pelo tenebroso e silencioso tempo, e insisti:
_ Não! me preocupo sim, tens muito a me ensinar e a viver, tu ainda sentes o cheiro de terra molhada, ainda respira o aroma de cada dama da noite, ainda enxerga a vibrante torcida comemorando o gol e, embora cansado, ainda caminha por lugares magníficos. Porque já vai, é tão cedo!
E com um último suspiro ele me respondeu, contando seus últimos segundos de imaginação e sendo filósofo, sim, sábio, pensador:
_ Vou pois tenho te atrapalhado, jovem, oque vivi foi bom e não nego, mas hoje tu me carregas como um peso, hoje te atravessa a rua comigo, dorme comigo na cabeceira da cama contando tediosas estórias, hoje não tens a confiança no olhar, sei que te ensinei muito, meu jovem, afinal eu já fui você, mas preciso partir para que vivas intensamente novamente, mas te deixarei uma humilde herança: a esperança, a perseverança, uma pequena ambição e um baú de amor e generosidade, saiba usar, meu querido jovem, e não se esqueça que...que...
_ Que o quê? Diga-me, Sr.! _ Ele não me respondeu, havia ido embora como as cinzas solta ao mar, como o último milésimo de luz de uma vela que se excede. Mas, naquele instante eu já sabia do que não deveria me esquecer, o que o velho Sr. se referia, era de sempre continuar a história... agora no presente, eu não sentia tanto medo da perda do ancião sábio e nem de mim mesmo, pois embora experiente e conhecedor das melhores estratégias para se salvar de armadilhas, ele não tinha mais vigor nem aptidão para o novo.
Hoje vivo, agora escrevo esta história, neste exato segundo, dito a minha história. Sempre irei conhecer novas damas, novos cheiros de chuva e novos momentos de prazer, pois embora a mentira corroa, a quase escassa represa evapora, e uma nova rosa brota; a verdade se renova, como o sol da aurora, como meu partido coração de outrora.
" Cada nova ideia que clareia, surge duas opções: sustentá-la ou abortá-la;? É incerta como depositar esperança em um garoto que veio do lixão. "
Gustavo de Freitas

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